18. Viagem ao mundo da droga. (Parte 2)
Por defenição, quem vive em Catmandu é alguém que tudo viu, tudo fez, tudo ouviu. Adignidade humana, o respeito, os princípios, tudo isso são noções esquecidas,pré-históricas.
Pois bem, por muito endurecido que eu também estivesse, qualquer coisa se passou em Catmandu que conseguiu desgostar-me.
Este qualquer coisa é uma mulher.
Uma americana. Uma mulher gorda, suja, de uns vinte e cinco anos.
A primeira vez que a vejo traz um bebé nos braços.
O garoto, tão sujo como ela, tem talvez sete meses.
É seu filho.
Até aqui, nada de muito surpreendente. As colónias hippies estão cheias de garotos que as mães passeiam por toda a parte e ombreei com elas o bastante para não prestar a esta ou àquela uma atenção desmedida.
Simplesmente uma noite, no Quo Vadis, vejo o que aquela mãe faz para alimentar o filho, um bebé inocente que não pediu para nascer, que nada fez para merecer o que lhe fazem sofrer.
Revejo ainda a cena.
A americana está sentada a um canto, fazendo oscilar a cabeça ao ritmo da música.
Tem o garoto nos braços, embrulhado num monte de farrapos.
O garoto põe-se a chorar. Tem fome.
A mãe levanta-se, põe-no no chão; o miúdo põe-se a gritar ainda mais.
Quando ela volta traz um biberão entre as mãos, biberão que foi prepara à cozinha com leite de cabra cortado com água, suponho eu.
Olho como ela faz caretas ao filho que, apesar da sua palidez e da sua porcaria, me parece simpáticamente rechonchudo.
E vejo isto:
Da sua trouxa imunda tira haxixe; entre a unha do indicador e a do polegar corta um pequeno pedaço que esmaga na palma da mão.
E deita tudo no biberão.
E dá-o a beber ao bebé!
Este chupa gulosamente, dá o seu arroto e adormece imediatamente.
Espantado, sacudo a mãe e digo-lhe:
- Estás completamente louca! vais matar o teu filho!
Ela escarnece:
- Mas não, ele gosta disto. Já não pode passar sem ele.
- É verdade - diz-me uma rapariga que está sentada a seu lado. - Se não lhe põe a merda no biberão o rapaz entra em carência.
Eu repito:
- Vais matá-lo!
Ela sacode os ombros.
- E depois?
No dia seguinte, bem decidido a salvar aquele garoto, custasse o que custasse, vou pedir conselho ao Centro Cultural Francês. Loucura geral. Conjuram-me a levar a mãe à Embaixada Americana ou, de contrário, ali mesmo.
Volto ao Quo Vadis, interrogando-me sobre a forma de meter aquela doida no caminho da razão.
E, ao chegar, dão-me a notícia de que nessa mesma manhã foi expulsa com o filho pelas autoridades nepalesas. Já não tinha o visto e deixou-se surpreender por um controle da polícia.
Esta é outra passagem do livro que tambem me deixou um bocado em xoque, como é possivel isto?! =|
Para quem nao sabe, o haxixe tambem pode ser ingerido, tendo o mesmo efeito, e no calão dos drogados, trata-se a droga por merda...
E outra coisa, no nepal a vaca é o animal sagrado, por isso é que o leite é de cabra, e como o leite de cabra é um espesso tem que ser cortado com agua, para que fique mais aceitavel...
Pronto, acho que não ha mais nada para esclarecer.
Ah outra coisa, o Quo Vadis é um restaurante/tea-shop, onde era habitual os drogados e os hippies se encontrarem e passarem o serão em Catmandu.
*
Pois bem, por muito endurecido que eu também estivesse, qualquer coisa se passou em Catmandu que conseguiu desgostar-me.
Este qualquer coisa é uma mulher.
Uma americana. Uma mulher gorda, suja, de uns vinte e cinco anos.
A primeira vez que a vejo traz um bebé nos braços.
O garoto, tão sujo como ela, tem talvez sete meses.
É seu filho.
Até aqui, nada de muito surpreendente. As colónias hippies estão cheias de garotos que as mães passeiam por toda a parte e ombreei com elas o bastante para não prestar a esta ou àquela uma atenção desmedida.
Simplesmente uma noite, no Quo Vadis, vejo o que aquela mãe faz para alimentar o filho, um bebé inocente que não pediu para nascer, que nada fez para merecer o que lhe fazem sofrer.
Revejo ainda a cena.
A americana está sentada a um canto, fazendo oscilar a cabeça ao ritmo da música.
Tem o garoto nos braços, embrulhado num monte de farrapos.
O garoto põe-se a chorar. Tem fome.
A mãe levanta-se, põe-no no chão; o miúdo põe-se a gritar ainda mais.
Quando ela volta traz um biberão entre as mãos, biberão que foi prepara à cozinha com leite de cabra cortado com água, suponho eu.
Olho como ela faz caretas ao filho que, apesar da sua palidez e da sua porcaria, me parece simpáticamente rechonchudo.
E vejo isto:
Da sua trouxa imunda tira haxixe; entre a unha do indicador e a do polegar corta um pequeno pedaço que esmaga na palma da mão.
E deita tudo no biberão.
E dá-o a beber ao bebé!
Este chupa gulosamente, dá o seu arroto e adormece imediatamente.
Espantado, sacudo a mãe e digo-lhe:
- Estás completamente louca! vais matar o teu filho!
Ela escarnece:
- Mas não, ele gosta disto. Já não pode passar sem ele.
- É verdade - diz-me uma rapariga que está sentada a seu lado. - Se não lhe põe a merda no biberão o rapaz entra em carência.
Eu repito:
- Vais matá-lo!
Ela sacode os ombros.
- E depois?
No dia seguinte, bem decidido a salvar aquele garoto, custasse o que custasse, vou pedir conselho ao Centro Cultural Francês. Loucura geral. Conjuram-me a levar a mãe à Embaixada Americana ou, de contrário, ali mesmo.
Volto ao Quo Vadis, interrogando-me sobre a forma de meter aquela doida no caminho da razão.
E, ao chegar, dão-me a notícia de que nessa mesma manhã foi expulsa com o filho pelas autoridades nepalesas. Já não tinha o visto e deixou-se surpreender por um controle da polícia.
Esta é outra passagem do livro que tambem me deixou um bocado em xoque, como é possivel isto?! =|
Para quem nao sabe, o haxixe tambem pode ser ingerido, tendo o mesmo efeito, e no calão dos drogados, trata-se a droga por merda...
E outra coisa, no nepal a vaca é o animal sagrado, por isso é que o leite é de cabra, e como o leite de cabra é um espesso tem que ser cortado com agua, para que fique mais aceitavel...
Pronto, acho que não ha mais nada para esclarecer.
Ah outra coisa, o Quo Vadis é um restaurante/tea-shop, onde era habitual os drogados e os hippies se encontrarem e passarem o serão em Catmandu.
*
2 Comments:
É outra coisa que não entendo, não dar leite de vaca ao filho devido às vacas no Nepal serem sagradas, mas dar a um ser que, para mim pelo menos, está acima de qualquer "vaca", leite de cabra cortado misturado com haxixe para o bebé se sentir "relaxado"?
Se não sabem dar o carinho necessário a um bebé para que ele se sinta bem, não os façam... Ou se fizerem, por favor, entreguem a uma casa de adopção se não têm condições financeiras ou morais (sentimentais). Mais que matar um jovem com certas defesas é uma crueldade tal não dar um pouco de carinho a um bebé que nem tem a mínima noção do que se passa à volta dele.
Grande Abraço Hige, e ja sabes... Festas onde vás, pelo menos comigo, usas latex! :Pp ( pra quebrar o gelo... )
[]'s
bem Lol outra historia chocante!
o k a gente aprende com estes livros....
=S
bem nem sei o k dixer lol
beijokas mano e faz boa viagem
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